O Surgimento de um Público para a Arte
No século XVIII, o processo de “laicização da esfera da cultura” atinge um ponto culminante: o trabalho de arte que, pouco a pouco, emancipara-se da dependência exclusiva do patronato da Igreja e do Estado passa a ser confrontado com novas instâncias, como o público que frequenta os Salões de Arte e com a incipiente crítica especializada. Neste texto, discutiremos o novo tipo de inserção que o trabalho de arte passou a almejar na sociedade e as noções de público e de crítica de arte que então se forjavam. Desde as primeiras institucionalizações da esfera da Arte, os artistas deviam servir aos interesses de uma elite – a Igreja, a Corte, ou ricos marchands . Mesmo quando suas obras vinham eventualmente à público, este não tinha qualquer poder sobre a produção, e o pintor nunca estava em contato direto com a massa. Mas tudo isso muda com a criação da Academia Real de Pintura e Escultura da França, em 1648, e a consequente criação dos Salões de Arte, onde as obras rea...