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O Surgimento de um Público para a Arte

  No século XVIII, o processo de “laicização da esfera da cultura” atinge um ponto culminante: o trabalho de arte que, pouco a pouco, emancipara-se da dependência exclusiva do patronato da Igreja e do Estado passa a ser confrontado com novas instâncias, como o público que frequenta os Salões de Arte e com a incipiente crítica especializada. Neste texto, discutiremos o novo tipo de inserção que o trabalho de arte passou a almejar na sociedade e as noções de público e de crítica de arte que então se forjavam.   Desde as primeiras institucionalizações da esfera da Arte, os artistas deviam servir aos interesses de uma elite – a Igreja, a Corte, ou ricos marchands . Mesmo quando suas obras vinham eventualmente à público, este não tinha qualquer poder sobre a produção, e o pintor nunca estava em contato direto com a massa. Mas tudo isso muda com a criação da Academia Real de Pintura e Escultura da França, em 1648, e a consequente criação dos Salões de Arte, onde as obras rea...

Ingres v. Delacroix: Um Velho Debate Artístico

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  O momento pós-revolucionário francês viu surgir (ou ressurgir) em sua arte uma intensa querela: os chamados linearistas contra os ditos coloristas. Tal disputa pode ser resumida entre a tentativa de preservação do passado glorioso e a imaginação suscitada pelo futuro esperançoso. Os linearistas, que tinham em Jean-Auguste Dominique Ingres (1780-1867) seu maior representante no período, seguiam a longa tradição da antiguidade clássica greco-romana, e de todos os grandes mestres que por ela foram inspirados: Rafael, Poussin, David e a Academia. Por outro lado, cada vez maior era o apelo exercido pelos coloristas, encabeçados por Eugene Delacroix (1798-1863), pintores que negavam a formação acadêmica e eram guiados pelo sentido dos “novos tempos” – o Romantismo, seguindo Baudelaire e Lord Byron, era o novo ímpeto dos jovens pós-revolucionários – mas que tinham, eles também, sua tradição; eram inspirados pelo Gótico medieval, os renascentistas vienenses e, principalmente, o mestre...

Analise da Obra de Chardin

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Apenas a época e o local possibilitam a classificação de Jean-Baptiste-Siméon Chardin (1699-1779) como um artista do Rococó Francês. Seus quadros, tanto em tema quanto em execução, em nada se assemelham aos maiores representantes desse estilo (pensemos em Fragonard ou Boucher), aproximando-se muito mais de artistas holandeses como Vermeer (em seu fascínio por cenas domésticas) e Le Lain (na introspecção de seus personagens). Tudo em Chardin é calmo e comedido, desde a austera decoração de seus interiores burgueses até sua paleta de cores. A cintilação e languidez das fêtes galantes de Watteau, primeiro mestre do Rococó, não têm lugar na sutil gradação de tons e modestos ambientes de Chardin. Chardin, diferentemente da maioria dos pintores da época, não submeteu ao júri do Salão de Artes de 1728 da Academia Real de Pintura e Escultura da França uma grande obra histórica ou alegórica, mas sim quatro naturezas-mortas de tamanho modesto. Apesar de tradicionalmente tido como o menor e ...