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Resenha: Pedagogia da Autonomia (Paulo Freire, 1996)

    Em seu livro Pedagogia da Autonomia (1996), Paulo Freire pretende delinear saberes e práticas que considera indispensáveis a educadores críticos, progressistas, éticos e humanos, desafiando a atual e estrita compreensão do senso-comum do que seja educação e do que seja aprender. Ensinar, verdadeiramente, não é transferir conhecimento, mas criar a possiblidade nos educandos de construir esse conhecimento. Docência e discência não são objetos um do outro, e sim partes integralmente componentes da experiência do ensinar e do aprender, num processo que Freire denomina como “dodiscência”. Aprender sempre precede o ensinar, e a pratica de ensinar-aprender é uma experiência total, diretiva, politica, ideológica, gnosiológica, pedagógica, estética e ética.   1.       A CURIOSIDADE A primeira qualidade essencial que o professor e o aluno devem ter é a curiosidade. A curiosidade do aluno, primeiramente ingênua, deve, através da escola, critici...

Técnicas da Pintura no Século XX

ACRÍLICA A tinta acrílica é composta por pigmentos aglutinados com cola plástica ou resina sintética acrílica. Seca rapidamente e possui uma enorme gama de possibilidades estéticas: pode tanto ser diluída para um conseguir um efeito transparente e brilhante, aproximando-se de um visual aquarelado, quanto concentrada até obter um aspecto denso e pastoso, mais similar às tintas a óleo. Inúmeros aditivos podem ser misturados à tinta, a fim de conseguir resultados variados. Outro aspecto extremamente importante para a popularização da tinta acrílica é o fato de aderir a inúmeras superfícies com facilidade: tecidos, papel, madeira etc. Além disso, ela faz menos mal à saúde do que tintas a óleo, porque usa água como solvente. Compostos acrílicos começaram a ser sintetizados na metade do século XIX e, na década de 1910, o químico alemão Otto Röhm sintetizou uma tinta com aglutinante acrílico. Essas primeiras tintas acrílicas serviam principalmente para pintura da parede das casas e para...

Reflexão: Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova (1931)

            O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova foi escrito em 1931, mas os problemas e soluções apresentados em seu texto continuam extremamente atuais. A intersecção entre os temas tratados nele e os discutidos em nossas aulas de POEB são inúmeras.             O Manifesto inicia por dizer que, de todos os problemas nacionais, a educação é o mais importante e o mais grave – ela é a base das gerações futuras de um povo que, por sua vez, graças a ela terão condições de resolver os demais problemas do país. No entanto, a organização escolar do Brasil em 1932 (e, não muito diferentemente, hoje) era incapaz de lidar com as “necessidades modernas e necessidades do país”, principalmente porque o sistema educacional encontrava-se fragmentado e desarticulado. Todas as propostas de reforma do ensino até a publicação do Manifesto eram parciais, isoladas, sem uma visão global do...

Reflexão: Relatório Sobre O “Grande Terminal Central” (Leó Szilárd)

A Guerra Fria sob o ponto de vista alienígena Leó Szilárd , físico húngaro, ficou famoso por ter sido o primeiro cientista a conceber a ideia da reação em cadeia nuclear. Chegou aos EUA em 1938, fugindo do nazismo, assim como inúmeros outros brilhantes cientistas – entre eles, seu amigo Albert Einstein. Os dois foram os responsáveis pelo que ficou conhecido como a Carta Einstein-Szilárd, endereçada em 1939 ao presidente americano Franklin D. Roosevelt, e que apontava a urgente necessidade de os EUA iniciarem um programa de fabricação de armas nucleares, visto que havia fortes indícios de que os nazistas alemães estariam conduzindo pesquisas sobre fissão nuclear com o objetivo de construir bombas atômicas. A resposta do presidente foi a criação do Projeto Manhattan, do qual Szilárd fazia parte. O projeto já estava bastante avançado à época da derrota da Alemanha nazista. O problema era que o Eixo possuía uma tecnologia nuclear muito atrasada com relação à americana. Logo, surgiu a q...

Resenha: A Sangue Frio (Truman Capote)

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★★★★☆ Uma realidade mais complexa que a ficção  O que acontece com uma pequena cidade do interior, do tipo que as portas das casas nunca são trancadas e todos se encontram aos domingos na igreja, quando a família mais benquista do lugar é amarrada, amordaçada, e assassinada de forma brutal e aparentemente sem motivo? Esse era o questionamento que impulsionou Truman Capote a dirigir até a cidade de Holcomb, Kansas, em 1959, após tomar conhecimento do caso através de jornais, e entrevistar grande número de seus habitantes atrás da resposta. Seis anos depois, reuniu as histórias que ouviu em sua jornada no livro “A Sangue Frio”, publicado pelo The New Yorker, que se tornou um marco do jornalismo literário e foi considerado pelo próprio autor como o precursor de um novo gênero, o “romance de não-ficção”. Quando Capote começou a coletar informações para sua obra, ele, assim como a polícia, ainda não tinha conhecimento dos autores do crime. Tremenda foi sua sorte em descobrir assa...